4º DIA - 04/01/09(Domingo)

De Guamini(Argentina) à 
Choele Choel(Argentina)
Diário 531 km - Geral 2448 km
Custos básicos em dólar(na época R$ 2,40)
Combustível  US$ 49,50 - Alimentação US$ 13,34 - Hospedagem US$ 24,60 

 

 

    Enfrentando um dia de calor muito intenso, sigo ao sul, de Guamini em direção a Bahía Blanca, para depois seguir a Sudoeste em direção a Neuquén(Argentina). Nesse mesmo dia  um dos pilotos de moto do Rally Dakar desapareceu e alguns dias depois foi encontrado morto. Segundo informações encontradas na internet, ele morreu de edema pulmonar, que é causado por parada cardíaca e respiratória. Seu corpo não mostrava sinais de ferimentos ou desidratação.

    Nas fotos abaixo, a confirmação de estar realmente em uma região bem diferente das que até então havia presenciado em minhas viagens. Também o forte vento, unido a muito calor, formavam tempestades de areia que dificultavam bastante a pilotagem. 


 

 Grande emoção de estar entrando oficialmente na Patagônia!. 


 Encontro com os pilotos do Dakar abastecendo para o deslocamento até Puerto Madryn(ARG). 

 
          

Caminhões de apoio.

 

 
Reta inacreditável de 130 km entre  Rio Colorado e Chole Choel

Indicação da reta no mapa da Argentina.

 

    Foi lamentável não chegar um pouco mais cedo para desfrutar do balneário em  Chole Choel. Um banhista que se apresentou como Martin Ibañez, ficou muito entusiasmado com a aventura e comentou de seu sonho de também um dia percorrer grandes distâncias em uma moto. Após a viagem, ele manteve o contato por e-mail enviando fotos de suas recentes aventuras de moto.

  

 

5º DIA - 05/01/09(Segunda-feira)

De 
Choele Choel(Argentina) à Neuquén(Argentina)
Diário  250
km - Geral 2690 km
Custos básicos em dólar(na época R$ 2,40)
Combustível  US$ 9,4 - Alimentação US$ 27,50 - Hospedagem US$ 54,16

Manutenção(troca de óleo, lavação e elétrica) US$ 41,66

 

    Nesse dia me programo para andar pouco. O Objetivo era chegar em Neuquén (capital da província) e fazer a primeira revisão na moto em uma oficina autorizada. 
    Em alguns momentos, ao invés de me beliscar para ter certeza que essa viagem não era um sonho, procurava tirar fotos de tudo que pudesse comprovar que realmente estava na Patagônia.

 
Felizmente estréio minhas ferramentas apenas ajudando um motociclista argentino. 

 

    No primeiro momento em que me deparei com essa imagem, fiquei impressionado. Porém, no decorrer  da viagem, foram inúmeras as vezes que cruzei por locais que prestam homenagem a esse santo popular da cultura argentina, chamado Gauchito Gil.

    

   Ao chegar em Neuquén encontro certa dificuldade para encontrar hotéis com um preço acessível. Nesse dia também aproveito para procurar uma lavanderia, acesso a internet e fazer a primeira troca de óleo em uma oficina autorizada. 
    Na Argentina o comércio tem um horário diferenciado, abrindo às 16 h. Após encontrar a loja autorizada, percebo que no setor de vendas, tudo parecia num padrão muito parecido aos encontrados no Brasil, porém ao chegar na oficina, mesmo os mecânicos demonstrando-se muito prestativos, o local assustava e deixava temeroso. Para minha tranquilidade, no final deu tudo certo.


     

 

6º DIA - 06/01/09(Terça-feira)

De 
Neuquén (Argentina) à Bariloche (Argentina)
Diário  480
km - Geral 3170 km
Custos básicos em dólar(na época R$ 2,40)
Combustível  US$ 17,90 - Alimentação US$ 10,41 - Hospedagem US$ 14,58

    Sigo em direção à Bariloche na Argentina, mas com o objetivo de passar pela cidade de El Chocón para conhecer o museu paleontológico que me chamou muito atenção nas pesquisas que fiz sobre a Patagônia, mas que pouco ouvi falar nos relatos de viagens de moto. 

    Ao chegar na cidade tive a  feliz surpresa de descobrir que o Rally Dakar passaria à alguns km da cidade, sendo que a previsão era que as primeiras motos do dia ainda levariam cerca de meia hora para  passar naquele ponto. Ao chegar no ponto de observação, ainda deu tempo de conversar com um entusiasta motociclista Canadense, que à alguns meses estava viajando pela América do Sul. 

Foi uma sensação indescritível ter essa oportunidade no 1º Rally Dakar na América.

   

Represa Ezequiel Ramos Mejía em El Chocón Argentina 

   

     A localidade ficou conhecida como “O vale dos dinossauros”. Uma das descobertas mais importantes da região foram os restos fósseis do maior carnívoro do mundo, o Giganotosaurus Carolinii, encontrado em 1993 por Rubén Carolini, um aficionado à paleontologia. Além disso, existem restos de dinossauros menores, pegadas de três metros de comprimento e o bosque petrificado, também encontrados por Carolini. Atualmente este patrimônio está protegido por cientistas e pesquisadores, que realizaram obras de conservação e reprodução de fósseis, muitos destes expostos no Museu Municipal Paleontológico “Ernesto Bachmann”.
Fonte: http://www.neuquentur.gob.ar/pt/villa-el-chocon/ 

Momento turista

    

    

    Seguindo viagem em um dia muito agradável, depois de algumas retas intermináveis, mais um momento único para minha 1ª grande viagem. Foi a emoção de avistar as primeiras montanhas nevadas, que mesmo à muitos km de distância, já impressionavam por sua imponência.

     

    Quando me aproximo de Bariloche, a  paisagem unida a sensação ímpar de estar pilotando uma moto, faz com que pense somente uma coisa: "Meus Deus eu não mereço tanto, muito obrigado!" 

    

            

    Chegando em Bariloche quase no início da noite, o frio assustava. Me apressei em procurar uma hospedagem, pois já previa que seria muito difícil nessa época do ano, além da expectativas de  preços nada atrativos. Com muita sorte, na segunda tentativa encontrei um senhor que hospedava em uma peça anexa a sua casa pelo preço de US$ 15,00. 

    Hospedagem garantida, fui para um breve passeio pra conhecer a noite de Bariloche. Já de cara encontro uma miragem. Um  estacionamento de hotel repleto de motos KTM. Procurei me informar e descobri que era uma tour organizada pela KTM da Argentina e que seguia o roteiro do  Rally Dakar, sempre um dia após as competições.

  

  

    Nessa mesma noite voltei a encontra os paulista que me auxiliaram a sair de Buenos Aires e encontrar os competidores do Dakar em seu deslocamento. Rimos muito com a história deles no Rally, pois passaram bons bocados em Santa Rosa Argentina, tendo enorme dificuldades em se hospedar sem reserva na cidade. Um deles acabou se perdendo do grupo e teve de dormir no banco da praça da cidade. Por incrível que pareça, até aquele momento ainda não haviam assistindo de perto a uma eliminatória do Rally. Também não tiveram sorte para se hospedar em Bariloche e conseguiram apenas um hotel de preço bem elevado. Acredito que me "odiaram" quando contei da etapa do Rally em Chocón e de minha hospedagem em Bariloche por US$ 15,00

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